sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O Sofá Estampado - Lygia Bojunga


Cavou até gastar toda a força e
muita mágoa, nem sabia quanto tempo.” P.30
No primeiro contato com o livro você logo imagina que é apenas mais um livro infanto-juvenil, mas quando se começa a ler você fica refém do encanto do pequeno tatu Vítor e da sua história tão cheia de medos, sonhos, desilusões.
A-do-rei a história porque não se limita a uma simples narrativa, ela desperta sentimentos e traz a realidade para dialogar com a fantasia, sem contar que a Lygia Bojunga soube envolver uma boa trama do começo ao fim.
Na história Vítor é um tatu tímido desde a infância e que em situações de medo ou nervoso começa a cavar o tanto que pode e a tossir sem parar até ficar roxo. Só acalma depois de ficar bem longe da situação que lhe aflige, sozinho com seus botões.
Nessas fugas de si mesmo encontrou um lugar só dele, sua rua de descape. Vítor não conseguia ser ele mesmo na frente de outras pessoas, até conhecer sua avó e se encantar com as aventuras vividas por ela, além de ser muito confortável conversar com alguém que o deixa ser ele mesmo e não tossir.
Sua avó uma aventureira nata, morre em uma de suas missões, o que deixa Vítor com uma saudade sem tamanho e um presente a receber. Quando se forma Vítor viaja para o rio de Janeiro a fim de conhecer o mar, mas aí conhece Dalva, uma gata angorá que não liga para outra coisa a não ser assistir tevê e sentar em seu sofá estampado, e se apaixona por ela. Daí em diante esquece-se de ver o mar e a única ideia de Vítor é agradar a Dalva.
Mas nada adianta o que Dalva queria mesmo era assistir TV. E depois de passar por umas poucas e boas e perder a Dalva, Vítor volta para a sua floresta, desanimado da vida, mas numa de suas fugas, descobre o seu rumo e um jeito que não ter tanto medo e seguir a vida feliz.
Amei o livro porque nos ensina que o medo é bem menor do que a nossa força de vontade e que o amor é construído em conjunto, sozinho nada somos. E precisamos desse amor. Também faz refletir sobre como não deixamos as crianças a vontade, sempre impondo-lhes regras e modos de agir. A grande lição que fica, a meu ver, é que se deve respeitar e amar o outro como ele é, e que devemos ser o que somos sem querer agradar mais ninguém.

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